Neste mês houve mudança apenas na carteira Conservadora, onde incluímos 10% de alocação em renda fixa pré-fixada, reduzindo de 25% para 15% a alocação em renda fixa inflação. As carteiras Moderada e Agressiva permanecem inalteradas.
Perfil Conservador:
Renda Fixa: Pós-fixado: 75%; Pré-fixado: 10%; Inflação IPCA: 15%.
Perfil Moderado:
Renda Fixa: 87,5% Pós-fixado; 50%, Prefixado; 7,5%, Inflação: 30%;
Multimercados: 2,5%;
Renda Variável: Brasil: 2,5% / Internacional: 5,0%;
Ouro: 2,5%.
Perfil Agressivo:
Renda Fixa: Pós-fixado: 21,5%; Prefixado: 8,5%; Inflação: 32,5%;
Multimercados: 5,0%.
Renda Variável: Brasil: 10,0%; Internacional: 17,5%.
Ouro: 5,0%.
O Panorama Econômico Brasileiro: Entre a Geopolítica de Ruptura e o Fluxo Global: O início de 2026 não é marcado por transição, mas por ruptura. O cenário global foi sacudido pela nova Estratégia de Defesa Nacional dos EUA, cujos efeitos práticos vimos no ataque à Venezuela e nas tensões diplomáticas em torno da Groenlândia. Este ativismo geopolítico agressivo provocou uma fuga de capitais dos ativos norte-americanos, levando o dólar ao seu menor patamar em quatro anos.
Paradoxalmente, o Brasil emerge como um porto seguro tático para o capital estrangeiro: o Ibovespa sustentou uma valorização de 12,56% em janeiro, renovando máximas históricas impulsionado por investidores que buscam commodities e prêmios de risco em mercados emergentes. Contudo, nossa resiliência interna é testada pela fragilidade fiscal. Encerramos 2025 com a dívida pública em 78,7% do PIB, e as projeções da XP apontam para um avanço inevitável rumo aos 83,5% em 2026.
Embora a inflação de 2025 tenha atingido 4,26% e o Boletim Focus projete 4,0% para 2026, o custo de oportunidade permanece elevado. A manutenção da Selic em 15% garante retornos reais vultosos, mas a sinalização de cortes pelo Copom para março — mirando 12,50% ao fim do ano — exige que o investidor pare de olhar apenas para o “retrovisor” e entenda que, no Brasil atual, é o “olhar do estrangeiro” que dita o ritmo dos preços. O fluxo global é soberano, e ignorar a necessidade de alocação em ativos sensíveis à curva de juros é deixar dinheiro na mesa.
Ainda neste início de fevereiro de 2026, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, expediu uma decisão liminar determinando a suspensão de verbas indenizatórias que não possuam previsão legal estrita e que resultem na superação do teto constitucional de remuneração no serviço público. A medida abrange os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário em âmbito federal, estadual e municipal, estabelecendo um prazo de 60 dias para que os órgãos revisem suas folhas de pagamento e publiquem, com transparência, a fundamentação jurídica e os valores de cada benefício concedido. Diante desse cenário, o servidor precisa, cada vez mais, fortalecer seu planejamento financeiro pessoal, priorizando a formação de reservas próprias que assegurem a manutenção de sua qualidade de vida após a conclusão da etapa produtiva.
Dinâmicas Internacionais: A “Bomba Relógio” Japonesa e a Reprecificação dos Metais: Enquanto os olhos do mundo se voltam para Washington, o verdadeiro risco sistêmico reside em Tóquio. O Japão carrega uma dívida de 230% do PIB e o Banco do Japão, após décadas de inércia, iniciou a alta de juros para conter a inflação. O perigo é o desmonte do “carry trade” global: se o capital japonês for repatriado, o Japão passará a vender títulos do Tesouro americano em massa, elevando os juros nos EUA e encarecendo o dinheiro globalmente. Para o investidor brasileiro, esta é a principal variável de risco que pode interromper o ciclo de queda da Selic: uma pressão no câmbio e nos juros americanos limita a margem de manobra do nosso Banco Central.
Paralelamente, o mercado de metais preciosos testou o estômago dos alocadores. O Ouro recuou 8,5% e a Prata sofreu uma queda brutal de 26% em janeiro. É fundamental entender que este ovimento não reflete uma mudança de fundamentos, mas um evento técnico de liquidez. A indicação de Kevin Warsh para o Fed — um nome técnico e independente — trouxe alívio institucional, mas provocou chamadas de margem alavancadas por grandes players na Ásia, que foram forçados a vender metais para cobrir posições. Mantemos nossa convicção estrutural: o ouro permanece como uma proteção indispensável contra a desconfiança monetária, com previsão de atingir USD 6.200/oz. A correção atual é uma janela de entrada para quem busca proteção de cauda em um mundo de déficits gêmeos e instabilidade geopolítica.
Estruturação de Carteiras: A alocação para 2026 exige seletividade cirúrgica. Não buscamos apenas retorno, mas a captura de assimetrias em um cenário onde o juro real ainda ficará acima do nível neutro devido ao risco fiscal.
Perfil Conservador: Permanece o foco em Pós-fixados (CDI) para capturar o carrego de 15%, mas com a introdução estratégica de ativos pré-fixados. Neste mês podemos ‘travar’ a rentabilidade do investimento com o “pré”, nas taxas altas de hoje, garantindo um retorno adequado antes que os juros comecem a cair em março, como previsto pelo próprio relatório do COPOM/BC.
Perfil Moderado: O equilíbrio é a palavra de ordem. Mantemos a base em renda fixa, com crédito privado de alta qualidade e na Renda Variável Brasil para surfar o fechamento da curva de juros. A diversificação internacional aqui atua como o estabilizador de volatilidade do portfólio.
Perfil Agressivo: Exposição robusta em ativos reais e cíclicos. Recomendamos o uso de ETFs como o WRLD11 que replica o índice FTSE Global All Caps, oferecendo exposição a mais de 9.000 empresas em países desenvolvidos e emergentes de maneira geral, mas com alto peso em empresas americanas (64% a 67%). No Brasil, as teses são específicas: Copasa (CSMG3): Perspectiva sólida de privatização e upside relevante mesmo após valorizações recentes. Petrobras (PETR4): Aproveitar a tendência de alta do petróleo impulsionada pelo cenário eleitoral e geopolítico.
Caixa Seguridade (CXSE3): Uma posição tática voltada para o “call de alternância eleitoral”, operando com desconto e bons fundamentos.
Diretrizes Finais de Implementação e Monitoramento
Em um ambiente de dívida pública crescente (83,5% do PIB), a análise da liquidez e da solidez dos emissores é inegociável. Para a renda fixa prefixada, as taxas atuais ainda embutem prêmios que não ignoramos. O investidor deve estar atento: 2026 será um ano de ruídos eleitorais que aumentarão a dispersão de retornos. A disciplina de risco e a diversificação global não são mais opcionais. A partir de agora, são as únicas ferramentas capazes de blindar o patrimônio contra o isolacionismo econômico dos EUA e as incertezas fiscais domésticas. Mantenha o foco na consistência da execução e utilize as correções técnicas de ativos reais, como o ouro, para reforçar defesas estratégicas. O crescimento patrimonial em 2026 será fruto da paciência aliada à proteção internacional.
Se quiser conversar sobre sua estratégia para 2026 ou ajustar sua posição diante desse cenário, você pode agendar uma conversa pelo link habitual. Será um prazer acompanhar suas decisões com clareza e foco no que realmente importa para você.



