O fim de 2025 deixou duas mensagens importantes para o investidor. A primeira é que os mercados antecipam movimentos: ativos domésticos reagiram antes mesmo de qualquer corte de juros, apoiados na expectativa de que a Selic começará a cair ao longo de 2026. A segunda é que o cenário segue exigente. No Brasil, a atividade mostrou resiliência maior do que o esperado, especialmente no mercado de trabalho, o que levou o Banco Central a reforçar um discurso cauteloso. No exterior, os Estados Unidos encerraram o ano com crescimento forte, mas inflação de serviços ainda resistente, mantendo os juros elevados por mais tempo. Esse pano de fundo explica por que disciplina e diversificação seguem centrais no início de 2026.
Janeiro e o ponto de partida para 2026: Janeiro não é um mês de grandes viradas, mas de posicionamento correto. O consenso entre as casas de análise é que o corte de juros no Brasil é apenas uma questão de tempo, mas não será imediato. O cenário mais provável aponta para o início do ciclo a partir de março, de forma gradual e dependente de dados. Isso cria um ambiente em que carregar renda fixa ainda faz sentido, ao mesmo tempo em que ativos sensíveis à queda dos juros começam a ganhar espaço nas carteiras, especialmente para quem pode tolerar oscilações.
É com essa lógica que estruturamos a alocação para os diferentes perfis.
Alocação por perfil – Janeiro/2026
Perfil Conservador: O foco permanece em proteção e previsibilidade.
Renda Fixa: 100% (Pós-fixado: 75%, Inflação IPCA: 25%). Essa combinação busca preservar o poder de compra e aproveitar o retorno real ainda elevado do CDI, com exposição tática à inflação em prazos médios e longos.
Perfil Moderado: Transição gradual para ativos de risco.
Renda Fixa: 87,5% (Pós-fixado: 50%, Prefixado: 7,5%, Inflação: 30%)
Multimercados: 2,5%
Renda Variável: 7,5% (Brasil: 2,5%, Internacional: 5,0%)
Ouro: 2,5%
Essa alocação equilibra carrego, diversificação e uma exposição controlada a ações e ativos de proteção, adequada para um cenário ainda volátil.
Perfil Agressivo: Para quem busca retorno no longo prazo e aceita oscilações.
Renda Fixa: 62,5% (Pós-fixado: 21,5%, Prefixado: 8,5%, Inflação: 32,5%)
Multimercados: 5,0%
Renda Variável: 27,5% (Brasil: 10,0%, Internacional: 17,5%)
Ouro: 5,0%
Aqui, a renda variável ganha protagonismo, com diversificação geográfica e uso explícito de hedge e ouro para suavizar choques e reduzir riscos extremos.
Contexto doméstico: No Brasil, os dados recentes reforçam um quadro misto: inflação em acomodação, mas mercado de trabalho ainda aquecido. Esse contraste torna a comunicação do Banco Central mais cuidadosa e reduz a chance de cortes imediatos. O cenário-base aponta para o início do ciclo de flexibilização ao longo do primeiro trimestre, com impactos positivos para títulos prefixados, papéis indexados à inflação e, gradualmente, para ações domésticas. Ao mesmo tempo, 2026 é ano eleitoral, o que tende a aumentar a volatilidade e exige gestão ativa e ajustes táticos ao longo do caminho. Em paralelo, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou neste mês o pagamento das garantias aos investidores afetados pela liquidação extrajudicial do Banco Master, processo que deve ressarcir cerca de 800 mil credores em até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, totalizando aproximadamente R$ 40,6 bilhões, um dos maiores desembolsos já realizados pelo FGC. Além disso, a liquidação da Will Bank, braço digital do Banco Master, decretada pelo Banco Central em 21 de janeiro, pode acrescentar cerca de R$ 6,5 bilhões adicionais em pagamentos de garantias, elevando ainda mais o volume de recursos potencialmente devolvidos aos investidores e recolocados no sistema financeiro ao longo de 2026.
Contexto internacional: No exterior, o ambiente segue mais complexo e menos previsível. Nos Estados Unidos, a economia mostrou força acima do esperado, o que levou as principais casas a postergar o início dos cortes de juros para meados de 2026. Na Europa, o crescimento permanece fraco, apesar da inflação mais próxima da meta. A China continua enfrentando desafios estruturais, com demanda interna baixa e inflação muito contida. Soma-se a isso um cenário geopolítico mais fragmentado e investimentos estruturais crescentes em inteligência artificial, defesa e infraestrutura. Para o investidor, a principal mensagem é clara: diversificação internacional e seletividade são essenciais, especialmente para perfis moderado e agressivo.
Para seguir bem acompanhado: Janeiro é o momento ideal para revisar a carteira, alinhar expectativas e garantir que sua alocação está coerente com seus objetivos, prazos e tolerância a risco. Se quiser conversar sobre sua estratégia para 2026 ou ajustar sua posição diante desse cenário, você pode agendar uma conversa pelo link habitual. Será um prazer acompanhar suas decisões com clareza e foco no que realmente importa para você.



